Toda crítica al país de uno me parece que cojea si no se tiene en cuenta lo que sucede en, al menos, los vecinos. En este poema, que forma parte de la última entrada del excelente blog de Manuela Viola (http://manuelaviola.blogspot.com/), Pessoa se queja del suyo:
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
"Fernando Pessoa"